90 anos de presença marcante

Alexandre Santos*

 

Em 1º de junho de 2009 o Clube de Engenharia de Pernambuco completa 90 anos de existência. Fundado em 1919 para defender os interesses profissionais, contribuir para a coesão, para o progresso da engenharia, realizar estudos e, finalmente, prestar assistência técnica, social e cultural a seus associados, o Clube de Engenharia de Pernambuco abraçou e foi abraçado por pequenas e grandes causas, ganhando simpatia e a confiança da sociedade pernambucana para inscrever-se entre as entidades mais importantes da região.

Mas isto tem uma razão de ser, pois, num país jovem como o nosso, ser nonagenário significa ter vivido quase 20% da história nacional. Esta condição é especialmente meritória nos campos mais sensíveis aos avanços tecnológicos como as engenharias. Olhemos em volta. Aí estão as casas, os arranha-céus, as ruas, os viadutos, os túneis, as passarelas, os automóveis, os ônibus, os metrôs, as máquinas, as praças, os aviões, os navios, os utensílios, as roupas, os eletrodomésticos, os computadores, os papéis, os livros, os móveis, as plantações, as criações, os alimentos e tudo o mais. Pois bem. Todas estas coisas têm o dedo dos profissionais da engenharia e a maioria, note, foi construída nos últimos noventa anos – quando, em nossa terra, o Clube de Engenharia de Pernambuco ganhou vida, abrigando e representando estes profissionais. Nesta perspectiva, nos últimos noventa anos, o Clube de Engenharia de Pernambuco – o segundo mais antigo do País – direta ou indiretamente, através de dirigentes, associados e simpatizantes, vem sendo testemunha e protagonista das obras e estudos que fazem a riqueza da nossa terra e tornam melhor a vida da nossa gente.

Mas, além de ser uma entidade que congrega técnicos, estando na raiz de muitas das obras e estudos que corporificam o desenvolvimento, o Clube de Engenharia de Pernambuco também é um bastião da democracia, alcançando, ao longo dos tempos, a condição de parceria destacada e, mesmo, de liderança de campanhas memoráveis, além de estender os braços para auxiliar entidades e movimentos de diversas naturezas, fortalecendo, assim, a sociedade civil. Não é sem razão que o Casarão da Madalena – sede do Clube nas últimas décadas – tem servido de abrigo e incubadora para muitas associações, oferecendo espaço para e acolhendo importantes associações, e de estufa para tantos movimentos estaduais e nacionais. Nunca é demais lembrar que muitas das ações que levaram a vitória das campanhas ‘O Petróleo é Nosso’, ‘Diretas Já’ e, mais recentemente, pela instalação da refinaria em Pernambuco se concentraram no Clube de Engenharia de Pernambuco.

Atualmente, em parceria com entidades combativas como o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA-PE) e o Centro de Estudos do Nordeste (Cenor), o Clube de Engenharia de Pernambuco vem se destacando na luta pela regionalização do Orçamento da União, pelo pleno funcionamento da SUDENE, pelo restabelecimento do transporte ferroviário de cargas e construção do ramal pernambucano da ferrovia Transnordestina e outras, discutindo temas de interesse público em sessões do Seminário Permanente de Desenvolvimento, que já faz parte do calendário dos grandes eventos estaduais.

Embora, como qualquer outra associação, sofra o rigor das conjunturas adversas, especialmente daquelas que debilitam a engenharia nacional, o Clube de Engenharia de Pernambuco tem se mantido firme na defesa dos interesses do Brasil e dos brasileiros, do Nordeste e dos nordestinos e de Pernambuco e dos pernambucanos. E vai se manter assim, hoje, amanhã e pelos tempos afora.

Que venham mais noventa anos!!!

(*) Alexandre Santos é presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco.

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