Mamãe, eu quero ser mordomo

Alexandre Santos*

“Quando crescer, ao invés de ser engenheiro da prefeitura, eu quero ser mordomo”. Esta frase vem sendo dita pelos filhos dos arquitetos, engenheiros e agrônomos do corpo técnico da Prefeitura do Recife.

Pode parecer brincadeira, mas, no momento que – com o apoio do Clube de Engenharia de Pernambuco, Sindicato dos Engenheiros de Pernambuco (Senge-PE), Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas de Pernambuco e Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA-PE) – a Associação dos Arquitetos, Engenheiros e Agrônomos da Prefeitura do Recife (Assaepre) enfrenta dificuldades para convencer a administração do prefeito João da Costa a cumprir acordo feito pelo antecessor João Paulo para pagar piso remuneratório de apenas R$ 2.790, vem a tona que os mordomos do senado federal têm salário de R$ 12 mil.

Em 2007 – no curso de uma grande mobilização, em cerimônia testemunhada pelos presidentes das principais entidades da engenharia, da arquitetura e da agronomia do Estado, de vereadores e registrada no Diário Oficial do Município –, o ex-prefeito João Paulo celebrou acordo para a partir do ano seguinte pagar piso remuneratório compatível com a lei federal nº 4.950-A. Na ocasião, os técnicos de nível superior da prefeitura ficaram aliviados. De fato, como não acreditavam que a administração municipal do Recife fosse trair um compromisso assumido por ela própria, imaginavam superada a angústia anual das negociações estressantes.

Não foi o que aconteceu.

O próprio prefeito João Paulo se encarregou de trair a palavra assumida e, desde 2008, os técnicos da prefeitura vêm lutando para fazer cumprir um acordo descumprido pela administração municipal.

Agora, embora tentados a desconfiar da palavra oficial da administração pública municipal, os técnicos de nível superior da prefeitura do Recife hipotecam um crédito de confiança a gestão do prefeito João da Costa e voltam a negociar o cumprimento do acordo firmado há dois anos. O que os técnicos de nível superior da PCR querem é, simplesmente, o cumprimento do acordo assentado pelo prefeito – maior autoridade do município: que lhes sejam assegurado em lei municipal um piso remuneratório de valor equivalente ao piso salarial determinado na Lei Federal. Só isso.

Neste momento, o Clube de Engenharia de Pernambuco e demais entidades da engenharia, arquitetura e agronomia que militam no âmbito municipal evocam o acordo de 2007 e apelam para a consciência cívica dos gestores municipais, lembrando que nada pior para o serviço público do que a desmotivação dos envolvidos e nada pior para a democracia do que o descrédito da autoridade.

Neste momento, os engenheiros, arquitetos e agrônomos da administração pública municipal do Recife não querem ganhar como os mordomos do senado. Querem apenas ser respeitados e que a prefeitura do Recife cumpra aquilo que acorda.

 

(*) Alexandre Santos é presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco