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Artigo publicado no Diário de Pernambuco

A  TRANSCEARENSE

 Sebastião Barreto Campello

Participei do último almoço, promovido pelo Clube de Engenharia, no qual o Vice-Governador Mendonça Filho fez uma palestra sobre as medidas tomadas pelo Governo do Estado, para acelerar o desenvolvimento de Pernambuco.

Como o Vice-Governador não pôde  ficar para os debates, pois tinha outros compromissos oficiais, faço as minhas perguntas de público, para que ele medite sobre as minhas preocupações.

Não confio no Sr. Benjamim Steinbruch, principal executivo do grupo da CFN, que adquiriu a Rede Ferroviária do Nordeste, no leilão de privatização e que se propõe a construir a Transnordestina.

Esse grupo adquiriu a Malharia Hering e transferiu as máquinas mais modernas para a sua fábrica no Ceará.

Adquiriu a Metalgráfica Matarazo, com moderníssima litografia e transferiu-a integralmente para o Ceará.

Venceu o leilão da privatização da rede Ferroviária do Nordeste, com um lance de 15 milhões de reais (apesar do Governo ter injetado 100 milhões de reais para prepara-la para a privatização), para pagar em 30 anos,  obrigando-se a mantê-la em funcionamento e a fazer melhoramentos no seu funcionamento.

Aos poucos paralisou todas as linhas, com exceção do ramal Crato / Fortaleza, deixou de pagar as parcelas devidas da privatização e transportou  toda a  administração do Recife para Fortaleza.

A pergunta que faria ao Vice-Governador seria sobre quais as medidas  que o Governo de Pernambuco está tomando para que a Transnordestina tenha o ramal Suape / Parnamirim realmente  construído.

Pelo que leio nos jornais o trecho Serrita / Pecem, no Ceará, custará  1,5 bilhões de reais. O trecho Recife / Salgueiro e o terminal de Suape custarão outros 1,5 bilhões e o restante ligando o porto de Itací, no Maranhão a Fortaleza e Salgueiro / Elizeu Martins, no Piauí, mais 1,5 bilhões de reais.

Os recursos necessários virão do BNDES, R$ 400 milhões, novos investidores 250 milhões, FINOR – FDNE 3,55 bilhões e 300 mil em recursos próprios (quantia ridícula), tudo somando 4,2 bilhões (300 milhões menos do que os gastos previstos).

Como não confio nos dirigente  da CFN e sabendo que têm grandes interesses em Pecem, temo que  utilizem os recursos liberados para a construção do trecho Serrita / Pecem e não façam nada  em Pernambuco, desviando toda a economia da produção de frutas de Petrolina, do pólo gesseiro do Araripe e do minério de ferro do RGN para o Porto de Pecem deixando Suape literalmente a ver navios.

Se eu fosse o Governo de Pernambuco faria exigências para que iniciassem a construção do trecho Recife / Salgueiro e exigiria também garantias de funcionamento da linha.

De minha parte, pobre contribuinte sem poder nenhum, vou me empenhar para que, caso isto não aconteça, o Clube de Engenharia denuncie ao Ministério Público, a fim de embargar o empréstimo ao BNDES e a utilização dos recursos do FINOR (o FNDE, considero uma miragem, pois nunca  liberou qualquer recurso), porque a empresa é inadimplente, frente aos compromissos com a União!

Recife, 28 de dezembro de 2005.

 Sebastião Barreto Campello é Conselheiro do Clube de Engenharia de Pernambuco